Tudo sobre Embriologia


Definição e conceito na Embriologia existem vários, assim como em outras disciplinas. Mas, todas as definições e conceitos divergem para o mesmo sentido.

Seguimos com algumas definições:



A embriologia é uma área da biologia que estuda o desenvolvimento embrionário dos organismos vivos, ou seja, o processo de formação do embrião a partir de uma única célula, o zigoto, que originará um novo ser vivo.

Estuda o processo de formação e desenvolvimento do indivíduo desde o zigoto até o nascimento.

Embriologia é o ramo da Biologia que estuda o desenvolvimento embrionário dos animais, isto é, as etapas pelas quais eles passam desde a fecundação até o nascimento.

A embriologia é a especialidade da biologia que estuda a formação dos órgãos e sistemas de um animal, a partir de uma célula.

Entende-se por Embriologia, a área da Biologia voltada para o estudo dos organismos durante o seu estágio embrionário, analisando seu desenvolvimento e caracterizando cada processo durante a formação do indivíduo.

A embriologia realiza o estudo de todo o processo de desenvolvimento dos embriões, da fecundação à formação dos seres vivos.

Treine esse conteúdo, faça um resumo de tudo o que aprender neste post nos comentários no fim da página.



SUMÁRIO

GLOSSÁRIO DESTE CONTEÚDO

INTRODUÇÃO A EMBRIOLOGIA

HISTÓRIAS DA EMBRIOLOGIA

DESENVOLVIMENTOS DOS EMBRIÕES HUMANOS

GAMETOGÊNESE

FECUNDAÇÃO

Fecundação humana

SEGMENTAÇÃO

GASTRULAÇÃO

ORGANOGÊNESE

A PRIMEIRA SEMANA

A SEGUNDA SEMANA

Súmula da Implantação

A TERCEIRA SEMANA

Neurulação

DA QUARTA À OITAVA SEMANA

DA NONA SEMANA ATÉ O NASCIMENTO

ÁREA DE ESTUDOS DA EMBRIOLOGIA

IMPORTÂNCIA DA EMBRIOLOGIA

COMO SE TORNAR UM EMBRIOLOGISTA

REFERÊNCIAS


GLOSSÁRIO DESTE CONTEÚDO

Ovócito (do latin ovum, ovo): esta célula é do tipo germinativa feminina, ou seja, se fertilizada originará novos gametas reprodutivos. O ovário é o órgão encarregado da fabricação destas células que quando estão completamente maturadas recebem a denominação de ovócito secundário ou maduro.

Espermatozoide (do grego sperma, semente): esta célula também é do tipo germinativa masculina, tem sua produção nos testículos e é expelida durante a ejaculação.

Zigoto: é o produto do processo de fertilização. É também um marco do início de uma nova vida, que começa neste instante.

Idade da fertilização: popularmente conhecida como “idade gestacional”, que tem cerca de duas semanas a mais que a idade da fertilização de fato. É difícil precisar com exatidão quando a concepção (fertilização) ocorreu porque o processo não pode ser observado in vivo. Porém os médicos especialistas fazem cálculos aproximados a partir do primeiro dia do último período menstrual normal (UPMN), normalmente com informações fornecidas pela gestante, da idade do embrião ou feto, haja vista que o ovócito só é fertilizado cerca de duas semanas depois da menstruação precedente.

Clivagem: este evento é uma sequência de divisões celulares mitóticas que o zigoto sofre, e os produtos deste processo são os blastômeros. Durante a clivagem o zigoto não sofre variação de tamanho.

Mórula (do latin morus, amora): é o conjunto de 32 a 64 blastômeros, formado através do processo de clivagem do zigoto. Os blastômeros vão mudando sua forma e se interconectando, formando um aglomerado firme de células, assemelhando-se a uma amora, fato esse que justifica seu nome. Este estágio ocorre de 3 a 4 dias após a fertilização concomitantemente à chegada do embrião no útero.

Blastocistos (do grego blastos, germe + kystis, vesícula): nesse estágio a mórula sofre mudanças que a converte em blastocisto. Isto ocorre imediatamente após a chegada da mórula no útero, quando a cavidade blastocística é preenchida por um líquido. Neste momento suas células se dispõem centralmente e formam o primórdio do embrião.

Gástrula (do grego gaster, estômago): neste estágio, onde o embrião já está na terceira semana, o blastocisto se transforma em gástrula, a este processo de transformação chamamos “gastrulação”. Durante toda esta fase forma-se um disco embrionário trilaminar. Esse disco é responsável pelas 3 camadas germinativas da gástrula que se diferenciarão nos tecidos e órgãos do embrião: ectoderma, mesoderma e endoderma.

Nêurula (do grego neuron, nervo): neste estágio o embrião se desenvolve a partir da placa neural, isto ocorre durante a terceira e a quarta semana. É o primeiro vestígio do sistema nervoso.

Anomalias congênitas ou defeitos do nascimento: são anormalidades que acontecem durante todo o estágio de desenvolvimento do embrião, perceptíveis ao nascimento, como por exemplo uma fenda labial. Mas existe a possibilidade de não serem detectadas até a infância, e ainda mais raramente até a fase adulta, como, por exemplo, a presença de três rins.


INTRODUÇÃO A EMBRIOLOGIA

A Embriologia estuda todas as fases e processos do desenvolvimento embrionário, desde os mecanismos de formação das células especializadas em reprodução (gametas), até a formação de todos os órgãos e o desenvolvimento completo do indivíduo.

Essa área da Biologia se encontra dentro de um campo maior de estudo, conhecido como Biologia do Desenvolvimento.

Esse campo busca, utilizando conceitos de Citologia, Histologia, Biologia Molecular, Genética, Evolução e Zoologia, compreender os processos de desenvolvimento dos indivíduos ainda nos estágios iniciais de formação.

Através dos avanços nos estudos da Embriologia, foi possível notar que o desenvolvimento embrionário pode apresentar diferenças significativas de uma espécie para outra.

Em humanos, os estágios que precedem o desenvolvimento embrionário são os processos de gametogênese e fecundação. Após a fecundação, o desenvolvimento embrionário pode ser subdividido nos processos de segmentação, gastrulação e organogênese. Veremos todos esses estágios mais à frente.


HISTÓRIAS DA EMBRIOLOGIA

Essas pesquisas tiveram início com Aristóteles, anos antes de Cristo, e acompanharam a evolução da tecnologia trazendo inúmeros benefícios para a humanidade, principalmente na medicina.

Hoje em dia, os especialistas em obstetrícia se utilizam dos estudos da embriologia para analisar, por exemplo, se o desenvolvimento de um feto está normal. É possível ainda identificar as causas de possíveis anomalias ou doenças congênitas.

Aristóteles foi o precursor da embriologia. Por meio da análise de embriões de galinha, percebeu que o animal adquiriu forma gradualmente e, assim, desenvolveu a Teoria da Epigênese. Essa teoria consistia na ideia de que o organismo não estava formado no ovo fertilizado, e sim crescia progressivamente a partir de modificações que aconteceram durante o desenvolvimento do embrião.

Anos depois, no século XVIII, Caspar Fredriech Wolff também realizou experiências com os embriões de galinha, porém um pouco mais aprofundadas, reafirmando a teoria de Aristóteles de que o corpo de um organismo passa por diversos estágios de desenvolvimento. Apesar de não ter sido o primeiro a chegar a essa conclusão, Wolff foi considerado o “Pai da Embriologia”.

No século seguinte, o surgimento da microscopia permitiu a realização de muitas pesquisas avançadas, incluindo a análise do embrião. Com esses novos estudos, muitos biólogos atestaram o conceito da Epigênese.


DESENVOLVIMENTOS DOS EMBRIÕES HUMANOS

O processo de desenvolvimento de um embrião humano ocorre em diversas etapas: fecundação, segmentação, gastrulação e organogênese.

A primeira etapa é a fecundação, quando ocorre o encontro entre os gametas femininos e masculinos (células responsáveis pela reprodução) e o espermatozoide penetra o óvulo. O núcleo dos gametas se fundem e o zigoto é formado.

Em seguida, o zigoto se divide repetidas vezes no processo chamado de segmentação ou clivagem. Primeiro, se reparte em duas células chamadas blastômeros. Na sequência, elas se dividem em quatro, em oito e assim sucessivamente, causando um aumento considerável no número de células. Cerca de uma semana depois, tem início a fixação na parede uterina, chamada de blastocisto.

Logo depois ocorre a gastrulação. Além do aumento no número de células, o embrião cresce em volume total. Nessa etapa são formados os três folhetos embrionários ou germinativos (camadas de células que dão origem aos tecidos e órgãos), a ectoderma, mesoderma e endoderma.

Por fim, a organogênese, última fase do embrião. Ocorre a diferenciação dos órgãos e tecidos e o tubo neural é formado (neurulação) e o embrião é chamado de nêurula. Esse processo ocorre até a oitava semana de gestação (56º dia). A partir da nona semana, o indivíduo em desenvolvimento passa a ser chamado de feto e nasce, em média, a partir da 38ª semana de gestação.

Vamos conferir abaixo, todos esses estágios com mais detalhes:


GAMETOGÊNESE

É o processo de formação das células reprodutoras chamadas de gametas. Nesse processo, uma célula inicial diploide (2n) chamada de célula germinativa ou de gônia (espermatogônia para formação do gameta masculino e ovogônia para formação do gameta feminino) se divide de modo que ao final são geradas quatro células chamadas de gametas contendo metade do material genético presente na célula germinativa, sendo, portanto, haploides (n).

Essa divisão celular em que gera células com metade do material genético da célula inicial é chamada de Meiose e é fundamental para a formação dos gametas e para garantir a variabilidade genética.

O gameta masculino é chamado de espermatozoide e fica armazenado em grande quantidade na região chamada epidídimo, próxima aos testículos nos indivíduos do sexo biológico masculino. O gameta feminino é chamado de óvulo e fica armazenado em grande quantidade nos ovários presentes nos indivíduos do sexo biológico feminino.


FECUNDAÇÃO

É o processo de união dos gametas (masculino e feminino) para a formação do embrião que irá se tornar um indivíduo após o desenvolvimento embrionário.

O processo de fecundação pode ser bastante variável de uma espécie para outra, podendo ocorrer de forma externa (os indivíduos liberam seus gametas no ambiente, geralmente na água, e é no ambiente que acontece o encontro) ou interna (um indivíduo deposita seus gametas no interior de outro indivíduo, onde ocorre o encontro).

Os indivíduos podem ser monoicos, isto é, apresentar ambos os sexos e, consequentemente, ambos os gametas. Nesse caso, a fecundação ainda pode ser:

  • Cruzada: quando promove a união entre gametas de indivíduos diferentes da mesma espécie, sendo um processo importante para garantir a variabilidade genética.
  • Autofecundação: quando os gametas masculino e feminino de um mesmo indivíduo são unidos. Nesse caso, não há variabilidade genética, mas é um processo importante quando o indivíduo se encontra em um ambiente isolado.

Fecundação humana

A espécie humana, por exemplo, é uma espécie dioica (indivíduos apresentam apenas um dos sexos biológicos – masculino ou feminino – e, consequentemente, apenas um dos gametas).

Nesse caso específico da espécie humana, o encontro dos gametas ocorre através do ato sexual, quando os espermatozoides, depositados no interior do útero, caminham em direção dos ovários e tentam penetrar um óvulo unitário, encontrado no meio do caminho – mais especificamente nas trompas uterinas.

Esse processo de união dos gametas é chamado de cariogamia, pois os gametas fundem seus núcleos celulares haploides (n) gerando uma célula diploide (2n).

Essa célula, formada a partir da união dos gametas, é chamada de zigoto (ou célula-ovo). É a partir dessa célula inicial que se forma o embrião que irá se desenvolver em um indivíduo.


SEGMENTAÇÃO

Após a fecundação, o zigoto sofre uma série de divisões mitóticas, formando várias células chamadas de blastômeros. Essas células permanecem unidas até formarem uma estrutura semelhante a uma amora, chamada de mórula. Uma mórula humana contém de 10 a 12 blastômeros.

Esse processo de sucessivas divisões celulares que o zigoto passa é chamado de segmentação, ou, ainda, de clivagem. É caracterizado pelo aumento do número celular sem aumentar o volume do embrião.

Em humanos, a mórula é formada de três a quatro dias após a fecundação. Ainda durante as clivagens, uma cavidade interna da mórula chamada de blastocele começa a ser formada para ser preenchida com água. Assim que a cavidade é completamente formada, o embrião passa do estágio de mórula para o estágio de blástula.

A blástula – também chamada de blastocisto – em desenvolvimentos embrionários de mamíferos placentários, é uma esfera formada de blastômeros, com interior formando uma cavidade preenchida por água, chamada de blastocele. O estágio de blástula é comum em todos os indivíduos do Reino Animal.

Em mamíferos placentários, a partir do blastocisto são formados dois tipos de células:

  • Trofoblastos: células que irão se desenvolver e gerar a placenta, importante anexo embrionário dos placentários;
  • Embrioblastos: células que irão formar e dar continuidade no desenvolvimento do embrião.



GASTRULAÇÃO

Após a segmentação e o desenvolvimento da blástula (de três a quatro semanas após a fecundação), o embrião entra no estágio da gastrulação.

Durante esse período, aumenta não só o número de células como o volume total do embrião, que agora é chamado de gástrula.

No início da gastrulação, determinadas células começam a se dividir rapidamente e a migrar para próximo das células do pólo oposto. Essa movimentação gera uma invaginação na gástrula que formará o arquêntero, a cavidade que dará origem ao tubo do sistema digestório.

A primeira formação a partir do arquêntero da região, chamada de blastóporo, permite classificar os indivíduos em:

  • Deuterostômios: organismos em que a abertura do arquêntero pro meio externo (blastóporo) gera primeiro o ânus, como os cordados e os equinodermos;
  • Protostômios: organismos em que a abertura do arquêntero (blastóporo) gera primeiro a boca, observado nos moluscos, anelídeos e artrópodes;

É, ainda, no estágio de gastrulação que ocorre a formação dos três folhetos embrionários, também chamados de folhetos germinativos.

Os folhetos embrionários são as primeiras células com capacidade de diferenciação que aparecem no embrião. É a partir delas que os demais órgãos são formados.

Os animais, com exceção dos poríferos e dos cnidários – que são diblásticos -, apresentam três folhetos germinativos e, por isso, são chamados de triblásticos.

  • Ectoderma: folheto em contato com o meio externo e que é responsável por originar a pele, o sistema nervoso, pelos, unhas, glândulas mamárias, retina, nariz, orelhas, células bucais e a hipófise;
  • Mesoderma: folheto localizado entre o ectoderma e o endoderma. Forma o músculo liso, cartilagem, tecidos conjuntivos, vasos sanguíneos e linfáticos, baço, rins, ovários, testículos e a maior parte do sistema cardiovascular;
  • Endoderma: folheto mais interno, é o responsável pela formação dos revestimentos epiteliais internos, como os presentes nas vias respiratórias e no trato gastrointestinal, glândulas da tireóide e paratireóide, timo, fígado, pâncreas, bexiga, tímpanos e outras estruturas auditivas.

Figura 1. Esquema de formação da Gástrula: 1-Blástula; 2-Gástrula; Laranja: Ectoderma; Vermelho: Endoderma; Marrom: Mesoderma.

Além dos folhetos embrionários, na gastrulação de alguns indivíduos também ocorre a formação do celoma – outra cavidade que servirá de depósito dos órgãos do indivíduo após o desenvolvimento completo.

A característica do celoma é ser uma cavidade totalmente delimitada por mesoderma. A partir dessa característica, é possível classificar os filos dos animais em:

  • Acelomados: organismos que não possuem celoma. Exemplo: platelmintos;
  • Pseudocelomados: organismos que possuem uma cavidade, mas esta é delimitada por mesoderma e endoderma. Exemplo: nematelmintos;
  • Celomados: indivíduos que possuem o celoma. Exemplo: cordados, moluscos, anelídeos, equinodermos e artrópodes.

É na gastrulação dos cordados que é formada a notocorda, localizada no centro do embrião. Acima da notocorda é formado, posteriormente, o tubo dorsal, que dará origem ao sistema nervoso. Abaixo da notocorda está localizado o arquêntero, muitas vezes chamado de intestino primitivo ou tubo digestivo primitivo.

Figura 2. Embrião de um Vertebrado Mostrando o Tubo Neural, Notocorda (Entre o Tubo Neural e o Tubo Digestivo), Tubo Digestivo, Celoma e os folhetos embrionários.


ORGANOGÊNESE

Após a formação dos folhetos embrionários e das estruturas características – como notocorda e arquêntero -, as células do embrião passam pelo processo de diferenciação celular.

Neste processo, sinalizadores são enviados e ativados nas células, de forma que elas mudem sua morfologia e adquiram funções específicas. Após a diferenciação, as células podem se agrupar para formar tecidos e, a partir disso, formam os órgãos do indivíduo.

Portanto, a partir da gastrulação, o embrião entra na fase de organogênese, onde seus órgãos são formados. Essa fase permanece até o fim do desenvolvimento embrionário.

Para ficar mais claro todos esses estágios, vamos descrever abaixo, todo o processo dividido pelas semanas de gestação:

A PRIMEIRA SEMANA

(SEGMENTAÇÃO ou CLIVAGEM DO ZIGOTO)

A clivagem consiste em repetidas divisões do zigoto, resultando em um rápido aumento do número de células. Primeiro, o zigoto se divide em duas células conhecidas como blastômeros; estas então se dividem em quatro blastômeros, oito blastômeros, e assim por diante.

A clivagem normalmente ocorre enquanto o zigoto atravessa a tuba uterina, rumo ao útero. O zigoto ainda se encontra contido pela substância gelatinosa muito espessa, a zona pelúcida, deste modo, ocorre um aumento no número de células sem que aumente a massa citoplasmática.

A divisão do zigoto em blastômeros começa cerca de 30 horas após a fertilização. Divisões subsequentes vão se seguindo e formam blastômeros progressivamente menores. Os blastômeros mudam de forma e se alinham, apertando-se uns contra os outros para formar uma esfera compacta de células conhecida como mórula. Este fenômeno, chamado de compactação, é provavelmente mediado por glicoproteínas de adesão da superfície celular.

A compactação permite uma maior interação célula-a-célula e constitui um pré-requisito para a segregação das células internas que formam o embrioblasto ou massa celular interna do blastocisto. A mórula (do latim, morus, amora), uma bola sólida de 12 ou mais blastômeros, é formada três dias após a fertilização e penetra no útero. Seu nome provém da sua semelhança com o fruto amoreira.


A SEGUNDA SEMANA

(FORMAÇÃO DA BLÁSTULA E IMPLANTAÇÃO DO BLASTOCISTO)

A blástula é o estágio de desenvolvimento embrionário em que, após sucessivas clivagens, centenas de células da mórula reorganizam-se agregadas e formam uma espécie de bola, com uma cavidade central repleta de líquido que denomina-se blastocele. Essas células formam uma camada celular chamada blastoderme.

A blástula sucede a mórula e antecede a gástrula. É, portanto, umas das primeiras fases de formação, antes que o embrião seja propriamente constituído.

Não se sabe exatamente quanto tempo o óvulo gasta para atravessar a trompa (oviduto). Presume-se que esse tempo seja de três a quatro dias. No sexto dia da fecundação, o blastocisto “fixa-se” no endométrio do útero, iniciando a fase de implantação. Nessa fase, o embrião vive à custa do material difusível através do endométrio, uma vez que suas reservas nutritivas (vitelo) são mínimas.

A implantação ocorre normalmente na parede posterior do corpo do útero, no espaço entre a abertura de glândulas do endométrio. Não é raro, porém, o blastocisto implantar-se em locais anormais, fora do corpo do útero. Em geral isso leva à morte do embrião, e a mãe sofre severa hemorragia durante o primeiro ou segundo mês de gestação.

Súmula da Implantação

A implantação do blastocisto começa no fim da primeira semana e termina antes do final do segundo. O processo pode ser sumariado como se segue:

  1. A zona pelúcida degenera (quinto dia). O desaparecimento da zona pelúcida resulta do aumento de tamanho do blastocisto e da degeneração causada por lise enzimática. As enzimas líticas são liberadas pelos acrossomos dos muitos espermatozoides que rodeiam e penetram parcialmente na zona pelúcida.
  2. O blastocisto se liga ao epitélio endometrial (sexto dia).
  3. O texofoblasto começa a se diferenciar em duas camadas, o suncicioblasto e o citotrofoblasto (sétimo dia).
  4. O sincíciotrofiblasto evade os tecidos endometriais (capilares, glândulas, estroma) e o blastocisto começa a se implantar no endométrio (oitavo dia).
  5. Aparecem no sinciciotrofoblasto lacunas repletas de sangue (novo dia)
  6. O blastocisto penetra abaixo do epitélio endometrial
  7. Redes lacunares são formadas pela fusão de lacunas adjacentes (décimo e décimo primeiro dias).
  8. O sinciciotrofoblasto continua a erodir vasos sanguíneos endometriais, fazendo com que o sangue materno flua para fora das redes lacunares, e se estabelece, assim, uma circulação uteroplacentária primitiva. (décimo primeiro e décimo segundo dias)
  9. A falha no epitélio endometrial desaparece gradualmente, enquanto o epitélio superficial se regenera. (décimo segundo e décimo terceiro dias).
  10. Desenvolvem-se as vilosidades coriônicas primárias (décimo terceiro e décimo quarto dias).



A TERCEIRA SEMANA

Este é o inicio do período embrionário, que termina ao final da oitava semana. O rápido desenvolvimento do embrião a partir do disco embrionário, como resultado de numerosos eventos morfogenéticos, é caracterizado pela formação da linha primitiva, da notocorda e de três camadas germinativas a partir dos quais todos os tecidos e órgãos embrionários se desenvolvem.

Neurulação

Aos processos envolvidos na formação da placa neural, das pregas neurais e no fechamento delas para formar o tubo neural dá-se o nome de neurulação. Estes processos estão completados pelo fim da quarta semana, quando ocorre o fechamento do neurósporo caudal. Durante a neurulação, o embrião pode ser chamado de neurula.

FORMAÇÃO DO TUBO NEURAL: A placa neural aparece como espaçamento do ectoderma embrionário localizado cefalicamente em relação ao nó primitivo. A placa neural é induzida a formar-se pela notocorda em desenvolvimento e pelo mesênquima adjacente. Um sulco neural, longitudinal, desenvolve-se na placa neural; o sulco neural ladeado pelas pregas neurais, que se juntam e se fundem para originar o tubo neural. O desenvolvimento da placa neural e seu dobramento para formar o tubo neural é chamado neurulação.

FORMAÇÃO DA CRISTA NEURAL: Com a fusão das pregas neurais para formar o tubo neural, células neuroctodérmicas migram ventrolateralmente para constituir a crista neural, entre o ectoderma superficial e o tubo neural. A crista neural logo se divide em duas massas que dão origem aos gânglios sensitivos dos nervos cranianos e espinhas. Outras células da crista neural migram do tubo neural e dão origem a várias estruturas.


DA QUARTA À OITAVA SEMANA

Essas cinco semanas constituem a maior parte do período embrionário, que se estende da terceira a oitava semana. Durante estas cinco semanas, que representam a maior parte do período embrionário, os principais órgãos e sistemas do corpo são formados a partir das três camadas germinativas.

No início da quarta semana, as dobras nos planos mediano e horizontal convertem o disco embrionário achatado em um embrião cilíndrico em forma de “C”. a formação das dobras cefálica caudal e laterais constitui uma sequência contínua de eventos que resultam numa constrição entre o embrião e o saco vitelino.

Durante o dobramento, a parte dorsal do saco vitelino é incorporado pelo embrião e dá origem ao intestino primitivo. Quando a região da cabeça se dobra ventralmente, parte do saco vitelino é incorporado pela cabeça embrionária em desenvolvimento como o intestino anterior. O dobramento da região da cabeça também faz com que a membrana orofaríngea e o coração sejam deslocados ventralmente, e que o encéfalo em desenvolvimento se transforme na parte mais cefálica do embrião.

Enquanto a região caudal se dobra ventralmente, uma parte do saco vitelino é incorporada à extremidade caudal do embrião, compondo o intestino posterior. A porção terminal do intestino posterior expande-se para constituir a cloaca. O dobramento da região caudal também resulta na membrana cloacal, na alantoide, e no deslocamento do pedículo do embrião para a superfície ventral dele.

O dobramento do embrião no plano horizontal incorpora parte do saco vitelino como intestino médio. O saco vitelino permanece ligado ao intestino médio por um estreito ducto vitelino. Durante o dobramento no plano horizontal, Formam-se os primórdios das paredes laterais e ventral do corpo.

Ao se expandir, o âmnio envolve o pedículo do embrião, o saco vitelino e a alantoide, compondo então um revestimento epitelial para nova estrutura chamada cordão umbilical.

As três camadas germinativas diferenciam-se em vários tecidos e órgãos, de modo que, ao final do período embrionário, estejam estabelecidos os primórdios dos principais sistemas de órgãos. A aparência externa do embrião é muito afetada pela formação do encéfalo, coração, fígado, somitos, membros, ouvidos, nariz e olhos. Com o desenvolvimento das estruturas, a aparência do embrião vai se alterando, e estas peculiaridades caracterizam o embrião como inquestionavelmente humano.

Com os primórdios das estruturas internas e externas essenciais se formam durante o período embrionário, a fase compreendia entre a quarta e a oitava semana constitui o período mais crítico do desenvolvimento. Distúrbios do desenvolvimento nesta altura podem originar grandes malformações congênitas no embrião.


DA NONA SEMANA ATÉ O NASCIMENTO

(O PERÍODO FETAL)

O período fetal, que começa nove semanas após a fertilização e termina com o nascimento, caracteriza-se pelo rápido crescimento corporal e diferenciação dos tecidos e órgãos. Uma mudança obvia é a diminuição relativa da velocidade de crescimento da cabeça, em comparação com o resto do corpo.

No início da vigésima semana aparece o lanugo e o cabelo, e a pele é recoberta pela vernix caseosa. As pálpebras permanecem fechadas na maior parte do período fetal, mas começam a se abrir por volta da vigésima sexta semana. Até então, o feto é usualmente incapaz de sobreviver fora do útero principalmente por causa da imaturidade do seu sistema respiratório.

Até cerca da trigésima semana, o feto tem aparência avermelhada e enrugada por causa de sua pele fina e da relativa ausência de gordura subcutânea. Em geral, a gordura se forma rapidamente ao longo das últimas seis a oito semanas, dando ao feto um aspecto liso e rechonchudo. Esse período final (“de acabamento”) é dedicado principalmente à formação dos tecidos e à preparação dos sistemas envolvidos na transição do meio intra-uterino para o extrauterino, particularmente o sistema respiratório e cardiovascular. Fetos prematuros nascidos entre a vigésima sexta e a trigésima sexta semana em geral sobrevivem, mas fetos a termo têm maiores chances de sobrevivência.

As alterações que ocorrem no período fetal não são dramáticas quanto as do período embrionário, mas são muito importantes. O feto é menos vulnerável aos efeitos teratogênicos das drogas, vírus e radiação, mas estes fatores podem interferir com o desenvolvimento funcional normal, sobretudo do cérebro e dos olhos.

Existem várias técnicas disponíveis para avaliar as condições do feto e para diagnosticar certas moléstias antes do parto e anormalidades do desenvolvimento. Hoje em dia o médico pode determinar se um feto possui ou não certa doença ou uma malformação congênita, utilizando, por exemplo, a amniocentese e a ultrassonografia. O diagnóstico pré-natal pode ser realizado cedo o bastante para permitir o aborto seletivo de um feto defeituoso, se esta for a decisão da mãe e se o procedimento for legal; por exemplo quando forem diagnosticadas anomalias sérias, incompatíveis com a vida pós-natal.


ÁREA DE ESTUDOS DA EMBRIOLOGIA

A embriologia estuda todas as etapas do processo embrionário tanto nos seres humanos, como também nos animais e vegetais. Sendo assim, ela é dividida em:

Embriologia Humana: analisa o processo de desenvolvimento dos embriões humanos, identificando a causa das malformações e anomalias.

Embriologia Comparada: estuda e compara embriões de diferentes espécies animais.

Embriologia Vegetal: pesquisa todos os estágios de formação das plantas.


IMPORTÂNCIA DA EMBRIOLOGIA

O desenvolvimento da embriologia trouxe muitos benefícios para a humanidade. Além de identificar as causas de possíveis anomalias e doenças genéticas, diminuindo assim os riscos durante a gestação, ela possibilita também que muitas mulheres realizem o sonho da maternidade através das técnicas de reprodução assistida.

A fertilização in vitro é uma delas. Consiste na realização da fecundação do ovo com o espermatozoide em laboratório e após um processo de observação feita por especialistas, o embrião é transferido para o útero materno.

Outra forma desse tipo de reprodução é a inseminação artificial ou intrauterina. Uma amostra de esperma previamente preparada em laboratório é colocada no interior do útero materno, com o intuito de aumentar a probabilidade de fecundação dos espermatozoides.

É importante destacar também os estudos das células-tronco embrionárias. Elas são encontradas nos embriões cerca de cinco dias após a fecundação e possuem uma grande capacidade de se transformar em qualquer outro tipo de célula.

Embriologistas acreditam que elas poderão ser utilizadas futuramente para o tratamento de doenças, como o Parkinson, Alzheimer, leucemia, epilepsia, entre outras. Muitos estudos sobre isso ainda estão sendo realizados.


COMO SE TORNAR UM EMBRIOLOGISTA

O embriologista é o profissional responsável pelo estudo dos embriões humanos, animais e vegetais, e pela aplicação de tecnologias relacionadas à reprodução humana assistida (inseminação artificial) e fertilização in vitro. É considerada uma das profissões do futuro pela capacidade que esses especialistas possuem de identificar possíveis doenças em bebês e utilizar métodos de manipulação no campo da genética para solucionar as alterações.

Para se tornar um embriologista é necessário cursar Ciências Biológicas, Biomedicina, Medicina ou outros cursos na área de saúde e, em seguida, realizar uma especialização em embriologia. Só depois disso é possível manipular gametas e embriões.

Concentração, paciência, disciplina, ética, estrutura psicológica, ética e habilidade manual são os pré-requisitos necessários para a profissão.


REFERÊNCIAS

  • SADLER, Thomas W. Langman embriologia médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
  • Moore, K.L.; Persaud, T.V.N.; Torchia, M.G. 2013. Embriologia clínica 9. ed. Editora Elsevier.
  • Moore, K.L. & Persaud, T.V.N. 2008. Embriologia básica 7. ed. Editora Elsevier.
  • Garcia, S.M.L. & Garcia, C.G. 2012. Embriologia 2. ed. Editora Artmed.
  • Junqueira, L.C.O. & Carneiro, J. 2008. Histologia básica 11. ed. Editora Guanabara Koogan.
  • Sites: Australian Learning & Teaching Council
  • Educa Mais Brasil
  • Quero Bolsa
  • Cola da Web. Por: Fernando Zarth.