A biotecnologia muda o mundo – Parte 2

Mosquito transgênico que contribui no combate ao Aedes aegypti é um dos exemplos das aplicações da biotecnologia já em uso no Brasil e no mundo

Pode parecer ficção científica, mas não é: em abril de 2014 a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a liberação comercial de um mosquito transgênico. Trata-se de um Aedes aegypti que, ao invés de transmitir, pode contribuir no combate a doenças como a dengue, a zika e a febre chikungunya.

Funciona assim: um grande número de machos do mosquito geneticamente modificado é solto na natureza para que se acasalem com as fêmeas (somente as fêmeas se alimentam de sangue, por isso são as responsáveis pela transmissão dos vírus que causam as doenças). Acontece que o tal mosquito carrega um gene letal para os filhotes da fêmea. Assim, geram uma descendência que morre em estado larval, e isso reduz a população de Aedes. A linhagem de mosquitos transgênicos é fruto de uma parceria entre uma empresa britânica e cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Todos os testes fetos por aqui tiveram bons resultados.

A preocupação com biossegurança, aliás, está presente em todas as etapas do desenvolvimento de produtos por meio da biotecnologia moderna, do mosquito aos alimentos transgênicos. Apesar disso, por ser uma técnica relativamente nova, algumas pessoas ainda têm dúvidas sobre seus conceitos. Para esclarecer essas questões, é necessário um constante trabalho de comunicação de informações de qualidade, cientificamente fundamentadas e, sobretudo, sem vieses, principalmente, em relação à segurança dos alimentos

Para a bióloga Adriana Brondani, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), doutora em Ciências Biológicas, ao longo dos últimos 15 anos, o debate sobre transgênicos no Brasil se transformou. “No passado, como a transgenia era uma tecnologia recente, havia um desconhecimento que gerava receio. Hoje, entretanto, depois de diversos trabalhos científicos comprovarem a segurança dessa tecnologia, o debate está mais qualificado. Como a biossegurança, no Brasil e no mundo, é extremamente rigorosa e regulamentada, está claro que só chegam ao mercado produtos exaustivamente testados e considerados tão seguros quanto as variedades convencionais.”.

A legislação citada pela doutora Adriana se concentra na Lei 11.105/05, que resultou da revisão da primeira lei de biossegurança, de 1995. Segundo a diretora do CIB, o marco regulatório brasileiro é criterioso e promove um cenário de segurança jurídica para as atividades que envolvem organismos geneticamente modificados, no mesmo nível de outros países.

Em relação à pesquisa, Adriana afirma que o Brasil também caminha bem: “Temos centros de pesquisa de excelência, cientistas muito bem preparados e uma lei que permite que esse trabalho se desenvolva em diversas áreas. Especialmente na área agrícola, o Brasil tem uma vocação que está refletida no grande número de pesquisas em andamento em universidades, instituições e empresas.”.

Um dos aspectos que os pesquisadores da área podem comunicar, para aumentar a familiaridade das pessoas com a biotecnologia, é que alterações genéticas são muito mais comuns do que se imagina. “Quase todos os alimentos básicos que conhecemos sofreram alguma alteração de material genético, seja usando as técnicas de cruzamentos entre indivíduos da mesma espécie; por meio da radiação, que induz a mutações; ou pela transferência de características de outros organismos”, esclarece a doutora Adriana Brondani.

Essa última estratégia foi usada para desenvolver os transgênicos já aprovados no Brasil desde 1998 até agora: soja, algodão, milho, feijão, eucalipto, vacinas, leveduras, microalgas e medicamentos. Em um futuro próximo, é possível que tenhamos uma cana-de-açúcar transgênica com resistência a insetos.

Se você ainda está curioso a respeito da moderna biotecnologia, vá ao site do CIB para esclarecer dúvidas e saber mais detalhes.

Por Bayer Jovens

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